domingo, 18 de maio de 2008

Relação de Ajuda

A Relação de Ajuda é uma forma de relacionamento que pretende melhorar a eficácia da Comunicação, ao mesmo tempo que permite ao “ajudado” tornar claro para si e para o “ajudante”, os seus verdadeiros sentimentos. Enquanto metodologia de Comunicação, ela pode ser aplicada aos mais diversos campos da vida. No âmbito da relação familiar, pode dar-se ênfase às atitudes e habilidades em Relação de Ajuda; à aprendizagem da escuta activa, à Empatia, à relação com os mais idosos, à ajuda na vivência das diferentes crises do desenvolvimento.


A Pedagogia da Relação de Ajuda vem de Carl Rogers que desenvolveu a lógica da Terapia centrada na Pessoa. Relembre-se, a título de curiosidade, que Paulo Freire, inspirador do Movimento Shalom, foi um seguidor da pedagogia de Rogers. Vemos, assim, que a Relação de Ajuda é, aqui, apresentada não numa dimensão terapêutica, mas numa dimensão facilitadora da relação interpessoal; é que… a relação interpessoal tem tanto mais condições para crescer positivamente, quanto mais clara for a compreensão dos sentimentos e das motivações de cada um dos intervenientes. E isto, a comunicação, aprende-se a melhorar.

Mas, que fique claro, que não estamos aqui a limitar o interesse da Relação de Ajuda à relação conjugal. Não. A sua utilidade pode ser significativa na relação pais-filhos; pais-ascendentes; etc. A Relação de Ajuda, num âmbito terapêutico, parte deste patamar, para outros níveis de aplicação e de complexidade.


Neste momento e tendo em vista o Encontro de Famílias Shalom, será adequado olhar para a Relação de Ajuda como uma estratégia para melhor compreender o outro, seja ele, quem for; mas também, e simultaneamente, ajudar o outro a compreender-se a si mesmo.


A relação de ajuda tem suas bases constituídas no pensamento de Martin Buber, a partir da filosofia do diálogo que se estabelece na relação “Eu - Tu”. Para o autor a relação é aquilo que, de essencial, acontece entre os seres humanos e entre o Homem e Deus, a partir de um encontro. E nesse encontro “Eu - Tu”, não devemos tratar nosso semelhante simplesmente como meio - eu peço sua ajuda, ou uma informação, mas também como um fim, quando nesse encontro a totalidade do homem está presente e onde existe total reciprocidade.


Tal filosofia influenciou o pensamento de Carl Rogers quando formulou a Teoria da Relação de Ajuda, no início da década de sessenta do século passado. A ajuda na concepção rogeriana é concebida como uma relação na qual pelo menos uma das partes procura promover na outra o crescimento, o desenvolvimento, a maturidade, um melhor funcionamento e uma maior capacidade de enfrentar a vida, ao reconhecer seus recursos internos latentes7:43. O que implica ver na pessoa suas potencialidades para se desenvolver e encontrar os meios para resolver seus problemas com autonomia.


Admite-se assim, em consonância com essa posição, que a relação de ajuda propicia o crescimento e o desenvolvimento tanto daquele que ajuda, quanto daquele que é ajudado. Para os que ajudam, ampliam-se as potencialidades em direção à plena maturidade, na medida em que a disposição para ajudar exige a revisão dos próprios conceitos enquanto pessoa e um autoconhecimento para ser autêntico, empático e solidário. Para os que recebem ajuda, esse tipo de relação tem um sentido terapêutico ao possibilitar à pessoa reconhecer novos aspectos de si mesmo, novas possibilidades de se relacionar com os outros, novas formas de conduta diante de suas vivências.


João Paulo Nunes

Bibliografia

  • Buber M. Eu e Tu. Tradução de Newton Aquiles Von Zuben. São Paulo (SP): Cortez/ Moraes; 1977.

  • Rogers CR Terapia centrada no paciente. Tradução de Manuel José do Carmo Ferreira. São Paulo (SP): Martins Fontes; 1974.





Nenhum comentário: